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O CAOS DO COTIDIANO EM IBIÚNA
Ibiúna vive hoje um fenômeno curioso, para não dizer trágico: a existência de duas cidades distintas. De um lado, a Ibiúna das redes sociais oficiais, onde o pagamento antecipado de salários é alardeado como uma conquista épica e a gestão financeira é pintada com cores de primeiro mundo. Do outro, a Ibiúna real, aquela que pisa no barro das vicinais esquecidas e que aguarda meses por um exame de sangue básico que nunca chega.
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4/9/20262 min read
O MITO DA ESTABILIDADE FRENTE AO CAOS DO COTIDIANO


Milton Giancoli


Na infraestrutura, o cenário é de seletividade. Enquanto o centro recebe a maquiagem do asfalto novo, o interior da cidade — coração da nossa produção agrícola — agoniza com estradas que mais parecem campos de batalha. O descaso com as vicinais não é apenas um problema de conforto; é um golpe na economia local e no direito de ir e vir dos estudantes que dependem do transporte escolar.
A recente implantação do ponto com leitura facial para servidores é o símbolo máximo dessa desconexão. Investe-se em tecnologia para fiscalizar quem trabalha, mas falta o básico para o trabalho ser executado. É o "Big Brother" municipal funcionando enquanto os postos de saúde carecem de insumos simples.
A gestão atual precisa entender que a aprovação popular não se compra com posts patrocinados ou anúncios de "contas no azul". A verdadeira estabilidade de uma cidade é medida pela dignidade do atendimento no balcão da prefeitura e pela manutenção da rua onde o povo vive. Menos propaganda, mais zeladoria. Menos autoelogio, mais remédio na prateleira. Ibiúna cansou de ser figurante em um comercial de TV; o povo quer ser protagonista de uma cidade que realmente funcione.
Ibiúna vive hoje um fenômeno curioso, para não dizer trágico: a existência de duas cidades distintas. De um lado, a Ibiúna das redes sociais oficiais, onde o pagamento antecipado de salários é alardeado como uma conquista épica e a gestão financeira é pintada com cores de primeiro mundo. Do outro, a Ibiúna real, aquela que pisa no barro das vicinais esquecidas e que aguarda meses por um exame de sangue básico que nunca chega.
A administração municipal parece ter se especializado na "política do espetáculo". Ao focar intensamente na propaganda de sua saúde fiscal, a prefeitura tenta criar uma cortina de fumaça sobre a ineficiência gritante nos serviços de ponta. Ora, pagar o servidor em dia não é mérito, é obrigação constitucional e administrativa. O que o cidadão de Ibiúna pergunta, entre um comentário e outro nas redes sociais, é: se o dinheiro está sobrando e a conta está em dia, por que a saúde pública continua respirando por aparelhos?
As reclamações que inundam os grupos de WhatsApp e as páginas do Facebook não são vazias. Elas têm rosto e endereço. São mães de crianças autistas que lutam pelo direito básico a medicamentos e terapias, frequentemente negados ou atrasados. São trabalhadores que dependem da rodoviária e de praças centrais, mas que encontram banheiros em condições insalubres, que em nada lembram a "cidade turística" que os cartazes prometem.
