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O MARKETING DO ASFALTO VS. A REALIDADE DAS ESTRADAS VICINAIS

Ibiúna assiste, nos últimos dias, a uma ofensiva publicitária nas redes sociais do prefeito Mario Pires. Com vídeos bem produzidos e promessas de licitações para pavimentação, uma postagem recente no perfil oficial do chefe do Executivo ultrapassou a marca de 30 mil visualizações. No entanto, o brilho das telas de celular não reflete a poeira e a lama das ruas: nos comentários, mais de 300 queixas de moradores cobram soluções que não chegam.

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Milton Giancoli

4/14/20263 min read

O Marketing do Asfalto vs. a Realidade das ESTRADAS Vicinais: A Conta que Não Fecha em Ibiúna

Editor: Milton Giancoli

Ibiúna assiste, nos últimos dias, a uma ofensiva publicitária nas redes sociais do prefeito Mario Pires. Com vídeos bem produzidos e promessas de licitações para pavimentação, uma postagem recente no perfil oficial do chefe do Executivo ultrapassou a marca de 30 mil visualizações. No entanto, o brilho das telas de celular não reflete a poeira e a lama das ruas: nos comentários, mais de 300 queixas de moradores cobram soluções que não chegam.

O Nova Tribuna realizou um levantamento técnico para entender se o entusiasmo do prefeito justifica a esperança do cidadão. Os números mostram um abismo logístico e financeiro.

A Matemática da Desilusão

Ibiúna possui uma das maiores malhas viárias do estado, com cerca de 3.000 km de estradas vicinais e rurais. Em contrapartida, os pacotes de licitação que estão sendo "anunciados" para 2026 — como os editais para a Estrada do Murundu e vias urbanas — somam, na melhor das hipóteses, entre 15 km e 25 km de asfalto novo.

Na prática, isso significa que as promessas atuais atendem a menos de 1% da malha de terra do município. Para o morador que deixou sua reclamação no Instagram, a probabilidade de sua rua ser contemplada é matematicamente inexistente.

Detalhamento das Licitações Atuais (Abril/2026):

  • Estrada do Murundu (Estrada Tancredo Neves): Esta é uma das principais "vitrines" atuais. O Pregão Eletrônico nº 5/2026 (com abertura agora em abril de 2026) prevê a pavimentação asfáltica de trechos desta vicinal. Embora o edital foque em fornecimento de material e mão de obra, o projeto executivo visa cobrir extensões críticas que somam vários quilômetros.

  • Pacote de "Diversas Vias": O Edital 08/2026 (com valor estimado de R$ 4,8 milhões) refere-se à pavimentação asfáltica em diversas ruas do município. Levando em conta o custo médio de pavimentação urbana, esse valor cobre aproximadamente 4 km a 6 km de vias, dependendo da necessidade de drenagem.

  • Bairros Específicos: Há registros de projetos para trechos menores em bairros como Centro (Rua Minas Gerais) e áreas periféricas que, somados, começam a encorpar a conta dos quilômetros prometidos no Instagram.

O Exemplo do "Faça Você Mesmo": Veleiros e Porto de Ibiúna

Enquanto o governo municipal utiliza a pavimentação como peça de propaganda, grandes comunidades locais já desistiram de esperar pelo poder público. Um exemplo emblemático é o dos condomínios Veleiros e Porto de Ibiúna, que pagam os maiores valores de IPTU de Ibiúna. Cansados das promessas vazias e do descaso histórico, os próprios proprietários se cotizaram para custear e executar a pavimentação do seu acesso no bairro da Ressaca.

O fato de cidadãos que já pagam altos impostos (como o IPTU e taxas de licença) terem que arcar do próprio bolso com a infraestrutura básica é a prova cabal de que a prefeitura não consegue — ou não quer — gerir o crescimento da cidade.

Alerta: O Perigo das "Verbas Eleitoreiras"

É preciso que o leitor do Nova Tribuna fique atento ao calendário. Estamos em um ano onde as "verbas políticas" aparecem com facilidade. Licitações abertas agora, com prazos de execução que ultrapassam os 500 dias, podem não passar de barganha de votos. E a conta do compromisso fica para os eleitores do município que se obrigam a votar nos candidatos “bonzinhos” que só querem um votinho de reconhecimento das benesses que serão pagas (se acontecerem) com os impostos do próprio povo.

Historicamente, o "asfalto eleitoral" serve para impulsionar candidatos que, após a contagem das urnas, desaparecem dos bairros, deixando para trás obras inacabadas ou de má qualidade.

O veredito é claro: enquanto o marketing da prefeitura foca nos 20 km que serão feitos para gerar vídeos, o Nova Tribuna continuará cobrando pelos quilômetros que permanecem esquecidos, apesar da imensa malha viária aberta sem muita responsabilidade administrativa. A solução divulgada está longe de atender as vozes que clamam nos comentários das redes sociais. Ibiúna precisa de gestão, não apenas de curtidas.