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EDITORIAL: Ibiúna, entre o Brilho dos Palcos e a Poeira do Abandono
É prerrogativa da administração aplicar verbas destinadas à cultura, mas a política não é feita apenas de legalidade, e sim de prioridade. O contraste é violento. De um lado, o gasto vultoso com entretenimento efêmero para apoiadores e críticos; do outro, a realidade nua e crua do Hospital Municipal, das estradas rurais esburacadas que castigam o produtor e de um transporte público que retira a dignidade de quem precisa se deslocar.
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3/26/20263 min read
No último dia 24 de março, Ibiúna celebrou mais um ano de sua emancipação política. No entanto, o que deveria ser um momento de orgulho cívico e celebração de avanços transformou-se em um campo de batalha digital. Enquanto as luzes do palco brilhavam em um show de grande porte custeado pelos cofres públicos, as redes sociais da Prefeitura eram inundadas por um sentimento que o marketing oficial não consegue apagar: a indignação.
A Ilusão do "Pão e Circo"
É prerrogativa da administração aplicar verbas destinadas à cultura, mas a política não é feita apenas de legalidade, e sim de prioridade. O contraste é violento. De um lado, o gasto vultoso com entretenimento efêmero para apoiadores e críticos; do outro, a realidade nua e crua do Hospital Municipal, das estradas rurais esburacadas que castigam o produtor e de um transporte público que retira a dignidade de quem precisa se deslocar.
O povo, cansado de ser subestimado, resgatou a máxima latina do "pão e circo". A estratégia de anestesiar a população com festas enquanto os serviços essenciais desmoronam parece estar perdendo a eficácia. Ibiúna não quer apenas ser entretida; Ibiúna quer ser cuidada.
O Governo de um Homem Só
Um dos pontos mais sensíveis dessa crise de gestão é a personificação do poder. Assistimos a uma administração centralizadora, onde a promoção pessoal do prefeito sobrepõe-se aos resultados institucionais. Nas redes sociais, o "Capitão" aparece em posts bem editados, promessas convenientes e desculpas ensaiadas. Mas onde estão os soldados?
Um governo eficiente é feito por um time técnico, por secretários que entreguem soluções e por uma engrenagem que funcione para além da figura do mandatário. Se a população não conhece quem faz e o que é feito, a conclusão é inevitável: não há um time de primeira linha preparado para tirar o município da inércia. O que se vê é um elenco bem pago para figurar, enquanto os problemas estruturais da zona urbana e rural se tornam referências de desgoverno.
40 Anos de Incompetência: Até Quando?
A frase que ecoa nos bastidores da política local é pesada: "Já se vão 40 anos de prefeitos incompetentes". É um veredito amargo de uma cidade que vê vizinhas prosperarem enquanto estaciona no tempo.
O atual gestor gaba-se de sua proximidade com o Governador Tarcísio de Freitas, cujo lema é "fazer a diferença". Mas a pergunta que o cidadão ibiunense se faz é: onde está essa diferença na prática? A amizade política, se não se traduz em asfalto de qualidade, saúde eficiente e progresso real, é apenas uma moldura vazia para fotos de Instagram.
A Solução Passa pela Gestão, não pela Propaganda
Qual o caminho para Ibiúna? Continuar apostando em modelos que privilegiam a imagem em detrimento da entrega? Ou buscar uma liderança que entenda que governar é, acima de tudo, dividir tarefas para multiplicar resultados?
O progresso de Ibiúna não virá de um show de uma noite, mas de um time de especialistas comprometido com o município. O ibiunense precisa de alguém que acredite na força de uma equipe de excelência e na gestão austera.
Fica a reflexão para os próximos capítulos da nossa história: Ibiúna merece ser protagonista do seu desenvolvimento, e não apenas a plateia de um espetáculo caro que, quando as luzes se apagam, deixa para trás apenas o escuro do abandono.
EDITORIAL:
Ibiúna, entre o Brilho dos Palcos e a Poeira do Abandono
Por: Milton Giancoli


Milton Giancoli


