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CONSEG IBIÚNA: Entre a burocracia dos discursos e a realidade das ruas

No último dia 2 de junho, a equipe do Nova Tribuna acompanhou a reunião do Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) de Ibiúna. O encontro contou com a presença de lideranças da Polícia Militar, Polícia Civil e da Guarda Civil Municipal (GCM). Nossa participação tinha um objetivo claro: obter subsídios e respostas locais que pudessem ser confrontados com os dados oficiais divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), analisando a série histórica dos crimes de maior impacto no município.

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Milton Giancoli

7/6/20264 min read

CONSEG Ibiúna Entre a burocracia dos discursos e a realidade das ruas

Milton Giancoli

Por Nova Tribuna Online

No último dia 2 de junho, a equipe do Nova Tribuna acompanhou a reunião do Conselho Comunitário de Segurança (CONSEG) de Ibiúna. O encontro contou com a presença de lideranças da Polícia Militar, Polícia Civil e da Guarda Civil Municipal (GCM). Nossa participação tinha um objetivo claro: obter subsídios e respostas locais que pudessem ser confrontados com os dados oficiais divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), analisando a série histórica dos crimes de maior impacto no município.

No entanto, o que se viu na prática distanciou-se do propósito essencial do conselho. Após uma hora e meia de sessão — iniciada com 30 minutos de atraso —, ficou evidente que a dinâmica do evento priorizou desabafos isolados em vez de focar nas demandas estruturais pautadas pelo nosso jornalismo. Em muitos momentos, o debate perdeu o norte, concentrando-se em críticas genéricas à gestão pública ou em conflitos particulares de vizinhança que fogem ao escopo do CONSEG.

O Verdadeiro Papel do CONSEG

É preciso relembrar que o foco de um Conselho de Segurança baseia-se em três pilares fundamentais:

  • Canal Direto: Oferecer um espaço mensal de diálogo frente a frente entre moradores, imprensa e os comandos das polícias e da GCM.

  • Prevenção Comunitária: Debater melhorias urbanas que impactam diretamente a segurança, como iluminação pública, zeladoria de terrenos baldios, instalação de câmeras e sinalização viária.

  • Parceria Local: Estimular a colaboração ativa da população por meio de denúncias, ajudando a asfixiar a criminalidade nos bairros.

Em suma, o CONSEG existe para que a comunidade deixe de ser mera espectadora e passe a cobrar, planejar e fiscalizar a segurança do seu próprio quadrado. Embora as queixas individuais dos presentes sejam legítimas, permitir que a reunião perca sua função executiva impede que as grandes prioridades da cidade sejam discutidas de forma resolutiva.

"Bela Viola, Pão Bolorento"

Outro ponto que causou profunda estranheza foi o esvaziamento político do encontro. Em uma reunião de legítimo interesse público, constatou-se a ausência quase absoluta dos vereadores — os representantes oficiais do povo —, com a exceção de apenas um parlamentar que defendia a região do Campo Verde. O Poder Executivo também silenciou com sua ausência.

Diante do volume de propaganda institucional que a administração municipal veicula nas redes sociais, a realidade nua e crua dessa reunião traz à mente o velho adágio popular: "Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento". Lamentável.

As 4 Perguntas que Ibiúna Precisa de Respostas

Para garantir que o debate técnico não se perca no pragmatismo das discussões de bastidores, o Nova Tribuna oficializa publicamente os quatro questionamentos baseados nos Indicadores Criminais Históricos e Recentes de Ibiúna (SP) (conforme levantamento detalhado na tabela da imagem CONSEG.PNG), para os quais a população exige respostas objetivas das forças policiais:

1. Patrulhamento na Zona Rural e Combate à Invasão de Chácaras

  • O Fato: Os indicadores da SSP-SP apontam uma queda nos roubos e furtos gerais comparados ao pico histórico de 2016 (quando houve 717 furtos e 214 roubos). Contudo, a vasta extensão territorial de Ibiúna pulverizou a mancha criminal em direção às áreas rurais e condomínios de veraneio afastados.

  • A Questão: Qual é a estratégia concreta e o cronograma atual de viaturas para reduzir o tempo de resposta e garantir um patrulhamento preventivo eficiente nas estradas de terra e bairros rurais isolados?

2. Prevenção ao Roubo e Furto de Utilitários e Maquinários

  • O Fato: O município mantém uma média recente de 150 casos anuais de furtos e roubos de veículos. Desse total, há uma forte incidência sobre picapes, utilitários e maquinários agrícolas guardados em propriedades isoladas.

  • A Questão: Existe alguma operação especial ou integração de inteligência em andamento para monitorar as rotas de fuga e desmantelar as quadrilhas especializadas que visam o patrimônio produtivo do homem do campo?

3. Integração com Sistemas de Monitoramento dos Condomínios

  • O Fato: Diante da limitação de recursos humanos das polícias para cobrir as dimensões geográficas do município, a tecnologia privada das portarias e associações de moradores torna-se um ativo de segurança indispensável.

  • A Questão: De que forma a Polícia Militar, a Polícia Civil e a GCM pretendem integrar suas centrais de comunicação (Cecom) aos sistemas de câmeras dos condomínios residenciais para criar um cerco eletrônico eficaz nas saídas da cidade?

4. O Combate à Subnotificação de Crimes

  • O Fato: Embora os dados oficiais de homicídios dolosos estejam controlados (11 casos recentes frente ao pico histórico de 32 casos em 2003 e 2006), o sentimento de insegurança nas redes sociais é alto. A distância dos bairros e a burocracia fazem com que muitas vítimas desistam de registrar o Boletim de Ocorrência.

  • A Questão: Como as forças de segurança estão trabalhando para mitigar a subnotificação e garantir que o planejamento do policiamento seja baseado na realidade do cotidiano e não apenas nos números frios dos relatórios estatísticos?

NOTA: O Nova Tribuna agradece a OAB - 144a Subseção de Ibiúna a importante disponibilidade do espaço para a reunião do CONSEG.