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IBIÚNA REAL X CIDADE VIRTUAL: ATÉ QUANDO?
Nas redes, vídeos dinâmicos mostram uma cidade perfeita. Na vida real, quem mora em Ibiúna enfrenta ônibus atrasados, poeira, lamaçal nos bairros e o comércio refém da insegurança. O marketing corre mais rápido que as soluções básicas que a população tanto espera. Você se sente representado pelos posts oficiais ou a realidade da sua rua é bem diferente? Deixe sua voz nos comentários, compartilhe sua indignação e acompanhe no Jornal Nova Tribuna (JNT) o jornalismo que cobra quem decide e dá voz a quem realmente sustenta esta cidade.
BLOG
Milton Giancoli
9/22/20263 min read
O clamor de uma gestão que realmente “faça a diferença”
Os principais assuntos em debate nos grupos locais, páginas comunitárias e redes sociais de Ibiúna giram em torno de temas recorrentes do cotidiano da cidade:
Segurança e onda de furtos na área central: Moradores e comerciantes têm repercutido com frequência a preocupação com furtos e arrombamentos em estabelecimentos do Centro, cobrando maior presença e rondas da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar.
Transporte público e mobilidade urbana: Reclamações sobre atrasos, redução de horários e superlotação nas linhas de ônibus municipais (especialmente as que atendem bairros rurais e periféricos) continuam gerando forte engajamento popular.
Obras da Rodovia Bunjiro Nakao: Moradores e motoristas acompanham atentamente o andamento da duplicação e os desvios, com discussões acaloradas sobre a segurança dos trechos em obras e a futura implantação de praças/pórticos de pedágio na região.
Infraestrutura dos bairros e estradas de terra: Moradores do Piratuba, Cupim, Morro Grande e outras regiões rurais compartilham fotos cobrando manutenção, cascalhamento e serviços de tapa-buraco, principalmente após os períodos de chuvas fortes.
Fiscalização de loteamentos clandestinos: Publicações sobre embargos da prefeitura a desmembramentos ilegais de terras dividem opiniões e geram alertas sobre golpes imobiliários em áreas rurais e de manancial.
Basta abrir o celular para ver uma Ibiúna Tik-Tok legal, colorida e quase impecável. Em vídeos bem editados, cortes rápidos e ao estilo “palanqueiro”, a administração municipal divulga ações pontuais insuficientes, eventos e promessas com muito entusiasmo. No entanto, para quem fecha o aplicativo e pisa na calçada, a cidade real conta outra história. O contraste entre o marketing digital e as agruras do dia a dia tem provocado um descontentamento crescente nos comentários e grupos locais.
A insatisfação popular não nasce de implicância política, mas do cansaço de quem espera o básico.
O trabalhador que depende do transporte público enfrenta atrasos crônicos, cortes repentinos de linhas e veículos que não atende a todos. Enquanto um vídeo institucional é postado em segundos, uma mãe no bairro do Gabriel ou no Piratuba espera horas no frio para conseguir voltar do trabalho para casa. (revista Vitrine Ibiúna)
Nas áreas rurais, os produtores enfrentam atoleiros e promessas de pontes frágeis para escoar sua safra. No Centro, os comerciantes convivem com a insegurança e furtos recorrentes, além da ineficiência no visual da cidade.
A sensação de abandono se agrava quando o munícipe vê um excesso de energia gasto em produzir conteúdo virtual, em vez de focar na zeladoria básica, na fiscalização severa das concessionárias e na presença efetiva dos serviços essenciais nos bairros.
Governar não é acumular curtidas ou alimentar algoritmos; é aliviar a dor de quem sustenta a cidade com seus impostos. A população de Ibiúna não rejeita a tecnologia, mas exige que a agilidade vista nas redes sociais se traduza em asfalto consertado, ônibus no horário, postos abastecidos e segurança nas ruas. Quando a propaganda corre mais rápido que a entrega prática, o marketing perde a força e se torna apenas ruído diante da realidade.
Reconhecemos as dificuldades de se administrar um município extenso e diverso como Ibiúna, mas, depois de ano e meio, a pergunta que não se cala é aquela que corre de boca-a-boca na cidade: “Se tinham solução para tudo, porque não resolvem agora?”




Milton Giancoli
