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O CONTO DO CASCALHO ELEITOREIRO: A MAQUIAGEM QUE A PRIMEIRA CHUVA DE IBIÚNA DESMANCHA

Basta o céu fechar sobre a macrorregião de Sorocaba para que o estômago do morador da zona rural de Ibiúna dê um nó. Enquanto a Defesa Civil emite alertas meteorológicos que preveem tempestades, a população dos bairros mais afastados prepara o espírito para o mesmo calvário de sempre: lamaçal, valetas que engolem pneus e o isolamento forçado. Mas, se você abrir as redes sociais oficiais do prefeito ou assistir aos vídeos inflamados de certos vereadores, pensará que Ibiúna virou a Suíça do interior paulista.

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Milton Giancoli

9/11/20262 min read

O conto do cascalho eleitoreiro: a maquiagem que a primeira chuva de Ibiúna desmancha

Milton Giancoli

Basta o céu fechar sobre a macrorregião de Sorocaba para que o estômago do morador da zona rural de Ibiúna dê um nó.

Enquanto a Defesa Civil emite alertas meteorológicos que preveem tempestades, a população dos bairros mais afastados prepara o espírito para o mesmo calvário de sempre: lamaçal, valetas que engolem pneus e o isolamento forçado.

Mas, se você abrir as redes sociais oficiais do prefeito ou assistir aos vídeos inflamados de certos vereadores, pensará que Ibiúna virou a Suíça do interior paulista.

Nos discursos, a palavra de ordem é “transformação e mudança”. Qualquer caçamba de pedregulho despejada a toque de caixa vira palanque digital com direito a trilha sonora épica, fotos em ângulos estratégicos e tapinhas nas costas.

O que eles chamam de “grande obra de recuperação de estradas rurais”, no entanto, o JNT chama pelo nome correto: engodo. Uma maquiagem grosseira, cara e de validade relâmpago, feita sob medida para render curtidas, e não para resistir ao tempo. Lembram o que Seishi Miaji dizia “Tamo n’água!”.

A ciência por trás desse teatro é vergonhosa. Sem drenagem adequada, sem compactação de verdade e sem o menor respeito à topografia das nossas vicinais, o cascalho jogado de forma improvisada é apenas adubo para o barro.

Quando a enxurrada desce as baixadas, a encenação política é lavada em minutos. O “progresso” dos vereadores escorre para dentro das valas, deixando para trás um rastro de erosão, pedras soltas que arrebentam suspensões e o produtor rural com a caminhonete atolada e a colheita apodrecendo na caçamba.

É um ciclo vicioso e lucrativo politicamente: gasta-se o dinheiro do contribuinte para maquiar a estrada no sol, a chuva leva tudo embora, e logo em seguida anuncia-se nova "operação emergencial" para jogar mais pó nos olhos — e na pista — do cidadão.

Ibiúna não é feita apenas de panfletagem de cascalhamento nas estradas; é alimentada pelo suor de quem vive na terra. Tratar estrada vicinal para garantir vitrine eleitoral de cascalho podre é mais do que incompetência técnica: é desrespeito explícito com quem carrega a economia deste município nas costas.

É ou, não é?

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