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EDITORIAL – NOVA TRIBUNA Estância no papel, abandono na prática

Ibiúna ostenta, desde o ano 2000, o título de Estância Turística. Consta na lei, figura nos documentos oficiais, aparece nas placas de entrada da cidade. Mas entre o reconhecimento legal e a realidade concreta há um abismo que nenhum slogan consegue disfarçar. E os números não mentem: enquanto a vizinha São Roque recebeu R$ 2,5 milhões em investimentos para consolidar sua vocação turística, Ibiúna amargou míseros R$ 600 mil. A diferença não é apenas numérica — é simbólica, vergonhosa e reveladora.

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Milton Giancoli

7/7/20262 min read

EDITORIAL – NOVA TRIBUNA

Milton Giancoli

Estância no papel, abandono na prática

A pergunta que não quer calar é: por que essa disparidade? Por que uma cidade com potencial turístico reconhecido — represa, natureza, clima, proximidade da capital — recebe migalhas enquanto outras avançam? Falta articulação política? Falta projeto consistente? Falta vontade? Ou sobra conformismo?

O título de Estância Turística deveria ser trampolim, não troféu empoeirado na estante. Ibiúna precisa decidir se quer, de fato, ser referência turística ou se prefere continuar sendo apenas mais uma cidade que "poderia ter sido". Porque, no ritmo atual, o título soa cada vez mais como ironia — e a população, que poderia colher os frutos do turismo, segue esperando investimentos que nunca chegam.

Estância Turística no nome. Abandono turístico na prática. Essa é a Ibiúna de hoje. E isso precisa mudar.

Ibiúna ostenta, desde o ano 2000, o título de Estância Turística. Consta na lei, figura nos documentos oficiais, aparece nas placas de entrada da cidade. Mas entre o reconhecimento legal e a realidade concreta há um abismo que nenhum slogan consegue disfarçar. E os números não mentem: enquanto a vizinha São Roque recebeu R$ 2,5 milhões em investimentos para consolidar sua vocação turística, Ibiúna amargou míseros R$ 600 mil. A diferença não é apenas numérica — é simbólica, vergonhosa e reveladora.

Ter o título de Estância Turística não é conquista definitiva. É compromisso permanente. Exige infraestrutura, manutenção, eventos, sinalização, capacitação, promoção. Exige, acima de tudo, investimento contínuo e planejamento estratégico. Ibiúna, porém, parece satisfeita em exibir a placa sem honrar o que ela representa. O resultado está à vista: atrativos subutilizados, potencial desperdiçado, turistas que passam de carro rumo a destinos mais bem estruturados.

São Roque, com investimento quatro vezes maior, não apenas mantém sua posição — avança, inova, atrai visitantes, gera empregos, movimenta a economia local. Ibiúna, com sua fatia ridícula de recursos, patina no mesmo lugar, assistindo oportunidades escaparem pelas frestas de uma gestão que trata o turismo como detalhe, não como prioridade.